top of page

Se interessou por alguma das obras?

Fale com a gente e receba seu orçamento em minutos.

Create Your First Project

Start adding your projects to your portfolio. Click on "Manage Projects" to get started

Para Dorival

Ano

2026

Para Dorival é uma série de pinturas em nanquim que nasce da escuta profunda do mundo. Escuta do mar como presença concreta, do tempo como experiência vivida e da memória coletiva que atravessa as composições de Dorival Caymmi. Aqui, Caymmi não surge como referência ilustrativa ou temática, mas como matriz poética, ética e temporal. Em suas canções, o mar não é paisagem distante nem metáfora abstrata. É condição de vida, trabalho, risco e fé. Um território onde o cotidiano se transforma em rito e onde o silêncio carrega o mesmo peso que o canto. Esse ritmo interno que organiza suas canções orienta também o gesto do artista, que desenha em cadência lenta, atento à pausa, ao intervalo e ao tempo necessário para que a imagem se revele.

As obras apresentam fragmentos do universo marítimo popular brasileiro, especialmente o cotidiano dos pescadores e das comunidades que vivem em relação direta com a maré. Casas simples, embarcações, estruturas provisórias e horizontes baixos compõem paisagens onde o tempo não avança de forma linear, mas oscila. É o tempo da maré, circular e paciente, vivido no corpo e no trabalho que se repete. Não há heroísmo nem idealização. Há permanência. O pescador surge muitas vezes de forma implícita, sugerido pelos gestos, pelos objetos e pelas marcas deixadas na paisagem. A presença humana se dilui no espaço, reafirmando uma relação ancestral entre homem e natureza fundada na convivência e não na dominação.

O uso do nanquim configura uma decisão conceitual e ética. O contraste radical entre preto e branco estabelece uma economia rigorosa de gestos, em que cada linha carrega densidade simbólica e nenhuma marca é gratuita. A luz não é aplicada como efeito visual, mas emerge do vazio do papel, do respiro e daquilo que permanece em aberto. Nesse sentido, o pensamento de Maurice Merleau Ponty atravessa a série de maneira estrutural. O visível se sustenta no invisível. A imagem não entrega tudo, convoca o olhar a completar, a habitar o espaço entre o que se mostra e o que se oculta. A ausência também constrói sentido. O silêncio também é forma.

A fotografia de Pierre Verger atua como referência visual e ética do olhar. Assim como em seu trabalho, não há exotização nem encenação do universo popular. Há observação atenta, proximidade respeitosa e recusa do espetáculo. A composição direta, o enquadramento contido e a valorização do instante ordinário aproximam essas pinturas da linguagem fotográfica, como se cada obra fosse um fragmento suspenso no tempo, mais próximo de um estado de presença do que de uma representação.

Conceito, proposta e realização se articulam na construção de uma experiência sensível que antecede o discurso. Para Dorival não pretende narrar o mar nem explicar o cotidiano que o cerca. Pretende escutar. Cada obra funciona como um verso visual em que música, fotografia e filosofia se encontram para afirmar um modo de existir baseado na espera, na repetição e na permanência. Como nas canções de Caymmi, não há pressa nem excesso. Há intimidade. Entre o canto e a maré, o olhar desacelera e o tempo aprende, mais uma vez, a esperar.

Todas as obras acompanham um Certificado de Autenticidade, assinado pela artista, que atesta sua originalidade e exclusividade.

iMac_on_Table_Mockup_2 copiar 2.jpg

Lá você encontrará séries produzidas e obras originais do acervo.

Poster-parede-02-copiar.jpg

Explore nosso acervo e encontre a obra que mais combina com você.

Post-32---Obra-Silmara-Gandolfi-copiar-2.jpg

Transforme suas memórias ou ideias em uma obra de arte exclusiva!

bottom of page