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Arquitetura do Invisível
Ano
2025
Conheça a playlist da série "Arquitetura do Invisível", onde silêncios, luzes e gestos da cidade se transformam em memória viva.
Arquitetura do Invisível
Fragmentos de um espaço que só se habita com o olhar
Há cidades que se erguem sobre o peso de tijolos, aço e concreto. Outras, mais sutis, nascem no intervalo entre um traço e um silêncio. A série Arquitetura do Invisível pertence a esse segundo território, onde a cidade não é apenas vista, mas sentida, e onde a memória se torna matéria tão concreta quanto a pedra.
Composta por obras em aquarela e nanquim, a série transforma a técnica em conceito. A aquarela, fluida e translúcida, paira como suspensão, evocando o que não se pode tocar: o tempo rarefeito, o respiro entre a densidade, a atmosfera que envolve as formas. O nanquim ancora a composição com rigor, traçando fachadas, pontes e torres, mas preserva a hesitação do gesto, a instabilidade da linha. Dessa convivência entre firmeza e dissolução nasce a tradução visual da tensão entre o visível e o invisível.
As superfícies não são suportes neutros, mas pele viva que participa da imagem. Papéis como Montval, Canson, Vergê e Muji respondem de modo singular à aplicação das tintas, absorvendo o gesto e devolvendo textura, vibração e organicidade. Essa relação entre material e imagem reforça a ideia da cidade como organismo em constante mutação.
Os formatos, verticais ou horizontais, regulam o ritmo do olhar. Alguns trabalhos se impõem como ícones, conduzindo a visão para cima e evocando a monumentalidade da arquitetura moderna. Outros se expandem na horizontalidade, convidando a percorrer uma paisagem urbana sem centro nem conclusão. Em todos, o espaço em branco é pausa deliberada, silêncio necessário para que a narrativa respire.
O inacabado não é falha, mas linguagem. Linhas interrompidas, manchas que se desfazem e áreas em aberto convocam o espectador a completar mentalmente a cena. Esse espaço de interpretação ativa a imaginação e provoca um envolvimento psicológico direto: não se trata apenas de contemplar, mas de habitar um lugar em transformação.
As obras acionam memórias latentes e exigem atenção plena. Ao silenciar o ruído da pressa, devolvem a possibilidade de perceber o que costuma passar despercebido: o gesto de uma fachada, a respiração de um túnel, o vazio entre dois prédios. São imagens que evocam lembranças sem origem definida, ecos de cidades vividas ou sonhadas.
O azul, usado com parcimônia, é um respiro simbólico. Surge como fenda de céu no peso do cinza e do preto, não como cor dominante, mas como presença decisiva. É lembrança de que, mesmo no concreto mais árido, persiste um espaço para o sonho.
Arquitetura do Invisível não descreve, provoca. Não ilustra, mas sugere. Cada obra é fragmento de um território íntimo, convite à imersão e à escuta. A cidade aqui não é cenário, mas estado de espírito. O invisível não é ausência, mas campo fértil onde se inscrevem afetos, memórias e silêncios.
Porque existem cidades que se atravessam com os pés.
E existem aquelas que só se habitam com o olhar.
































